Ídolo tricolor, Pita crê em São Paulo motivado para encarar Flamengo

Ex-meia vê idolatria de Ceni intacta após afagos à torcida rubro-negra

Para quem encabeçou a tabela do Campeonato Brasileiro entre os dias 3 de dezembro de 2020 e 20 de janeiro de 2021 e teve sete pontos de vantagem para o segundo colocado, chegar à última rodada sem chances de título não era o esperado pelo São Paulo. O destino, porém, colocou o Tricolor como peça fundamental na definição do campeão. Nesta quinta-feira (25), o time paulista recebe o Flamengo, líder da competição, às 21h30 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo da Rádio Nacional. Uma vitória simples garante o troféu ao Rubro-Negro pela segunda temporada seguida.

“Claro que a motivação maior é do Flamengo, que está a uma vitória de ser campeão, mas acredito que o São Paulo, depois da queda no Brasileiro, de tudo que tem frustrado à torcida, além da busca pela [fase de grupos da] Libertadores, fará um bom jogo, um jogo equilibrado. O grupo, a comissão técnica e os jogadores, estarão, sim, motivados para encerrar bem o campeonato”, opinou o ex-meia Pita, ídolo tricolor na década de 1980, em entrevista à Agência Brasil.

pita, ex-jogador são paulo

Pita (camisa vermelha) é ídolo do São Paulo - Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC/Direitos reservados

Com 63 pontos, o São Paulo está em quarto lugar no Brasileiro, dois pontos à frente do Fluminense. O time paulista precisa ganhar do Flamengo para garantir a vaga direta na fase de grupos da Libertadores. Se empatar ou perder, a equipe do Morumbi dependerá de um tropeço dos cariocas, que enfrentam o Fortaleza no Maracanã. Caso os tricolores se igualem em pontos, o clube do Rio de Janeiro passaria à frente pelo número de vitórias: teria 18, contra 17 dos são-paulinos.

Se terminar a competição na quinta posição, o São Paulo terá de torcer para que o rival Palmeiras conquiste a Copa do Brasil. Como é o atual campeão da Libertadores, o Verdão abriria uma quinta vaga direta à fase de grupos do torneio continental via Campeonato Brasileiro.

Idolatria de Ceni

Revelado pelo Santos na primeira geração de Meninos da Vila, como ficou conhecido o jovem elenco campeão paulista em 1978, Pita foi para o São Paulo em 1984, em uma troca pelo ex-ponta Zé Sérgio. Pelo Tricolor, ele disputou 249 partidas e marcou 46 gols, venceu os Estaduais de 1985 e 1987 e foi campeão brasileiro em 1986, balançando as redes uma vez no empate por 3 a 3 na final contra o Guarani, decidida nos pênaltis.

O nome do ex-meia aparece na relação de grandes ídolos da história são-paulina, disponível no site oficial do clube, onde há uma aba especial destinada a Rogério Ceni. Aposentado dos gramados em 2015, o ex-goleiro pode ser campeão brasileiro (da Série A) pela primeira vez como técnico, justamente no Morumbi que o consagrou, mas como adversário do São Paulo. O atual treinador do Flamengo, recentemente, enalteceu a torcida rubro-negra, considerando “especial e diferente” trabalhar no time carioca. A manifestação não agradou alguns torcedores tricolores, mas Pita não acredita que isso impacte a imagem de Ceni.

“Com certeza marcaria muito para ele [ser campeão no Morumbi pelo Flamengo]. O Rogério bateu muitos recordes no São Paulo. O clube sempre teve grandes jogadores, campeões mundiais, como o Raí, mas acredito, sim, que o Rogério seja o maior ídolo e que isso não mudará. Ele é são-paulino, tem amor pelo clube, viveu muitos anos por lá, então acho que isso não vai mexer muito com os torcedores. [Ser técnico] é outra profissão, outro trabalho. Particularmente, desejo que ele alcance seus objetivos, pois é uma pessoa boa, de caráter, que merece”, afirmou o ex-jogador.

O retrospecto de Ceni contra o São Paulo, curiosamente, é pouco favorável a ele. Em sete jogos, são dois empates e cinco derrotas. Na atual temporada, o ex-goleiro encarou o Tricolor cinco vezes. Ainda no comando do Fortaleza, foram dois empates (ambos pela Copa do Brasil, com vitória são-paulina nos pênaltis) e uma derrota (pelo Brasileiro). No Flamengo, outros dois resultados negativos, ambos também na Copa do Brasil.

Reviravolta tricolor

A temporada do São Paulo encerra de forma melancólica, independente do que ocorrer nesta quinta. No Campeonato Paulista, o Tricolor foi eliminado nas quartas de final pelo Mirassol, em casa, após o time do interior ter perdido 18 jogadores durante a paralisação do Estadual forçada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). Na Libertadores, a equipe caiu na fase de grupos ficando atrás de River Plate (Argentina) e LDU (Equador). Na Copa Sul-Americana, a eliminação foi de cara, para o Colón (Argentina).

A queda na semifinal da Copa do Brasil para o Grêmio, aliada à derrocada no Brasileirão, custaram o emprego do técnico Fernando Diniz e prorrogaram por mais um ano o jejum tricolor de títulos. A última conquista foi a Sul-Americana de 2012. Para a temporada 2021, o São Paulo contratou o treinador argentino Hernán Crespo.

“Pela campanha [inicial] no Brasileiro, todos confiavam que o São Paulo brigaria pelo título, pois vinha regular. Depois, houve uma queda grande e equipes que vinham disputando o título evoluíram, como Internacional e Flamengo. Foram várias derrotas e a equipe se abateu. O mais importante é quem está no grupo ver o que aconteceu e fazer o máximo e se ajudar para conseguir o objetivo, que é o título, nos próximos compromissos”, concluiu Pita.

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Por Lincoln Chaves

Edição: Fábio Lisboa

Fonte: Agência Brasil

 

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